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Mostrando postagens de janeiro, 2026

OPORTUNIDADE

  Era final da década de 90 (não lembro exatamente o ano), eu estava trabalhando em minha sala quando adentrou o major Lupicínio (nome fictício).   Seria a primeira vez (e última) que ele entrava em minha sala.   Eu o conhecia fazia alguns anos pois trabalhávamos na mesma divisão. Muito educadamente, Lupicínio solicitou minha atenção pois ele precisava que eu o ajudasse dando-lhe um parecer favorável para o plano de doutoramento que pretendia submeter para as esferas superiores.   Esse doutoramento seria feito no exterior. Até aí nada demais.   Com certa frequência eu era (e ainda sou) chamado a dar algum parecer sobre propostas de desenvolvimento de algum assunto ligado à minha área de expertise.   No caso de Lupicínio, chamava a atenção o fato de que ele já estava na divisão há mais de 10 anos e só agora estaria interessado em um doutoramento.   Eu conhecia sua família pois almoçávamos no mesmo restaurante e suas filhas já eram crescidas. ...

PIEDADE

  No final da década de 80, eu ia periodicamente ao Rio para me encontrar com meu orientador de doutorado.   Como eu não tinha dinheiro para ir de carro, ia e voltava no mesmo dia de ônibus. Eu pegava o ônibus na rodoviária de São José dos Campos por volta da meia-noite e chegava na rodoviária Novo Rio às 6:00.  De lá pegava outro ônibus e ia para o Leme onde morava meu orientador.  Ele fazia a cortesia de me receber em sua casa para conversarmos sobre o avanço do trabalho de doutoramento. Logo após a hora do almoço eu já estava novamente na rodoviária Novo Rio para voltar para casa.  Pegava o primeiro ônibus que fosse para São Paulo e saltava no meio do caminho, para chegar em casa. Numa dessas voltas, aconteceu um episódio que me marcou.  Eu estava na fila da companhia de ônibus para São Paulo para comprar a passagem e fui abordado por um homem.  Ele estava vestido de forma bem humilde e falava com voz de tristeza pedindo se eu poderia completa...