Postagens

MÉTRICA

  No tempo em que eu trabalhava na restinga da Marambaia, mesma época da postagem Urubu Malandro, o Coronel Asdrúbal teve outra idéia.   Após o fracasso na utilização do VANT, ele pensou em outro tipo de alvo, que seria um pequeno foguete a ser resgatado no mar.   A proposta passava pela necessidade de consultar a Marinha para realizar esse resgate. Então Asdrúbal procurou um determinado setor da Marinha para negociar essa missão de resgatar um foguete alvo.   O encontro nos foi relatado pelo próprio Asdrúbal.   Após descrever o que precisava que o barco de resgate da Marinha fizesse, ele quis se mostrar muito participativo ao oferecer bancar o combustível que o barco gastasse.   Perguntou Asdrúbal ao comandante quantos litros de combustível ele estimava que fossem ser gastos.   A resposta o pegou de surpresa: aqui gastamos por tonelada...   Essa gafe virou motivo de chacota, entre nós, por um bom tempo. Até que, recentemente, eu passei por um...

O NARIZ

  Em 1974 eu estava cursando o primeiro ano de graduação no IME.   Era período integral de estudo somado à instrução militar.   Ambos tinham a presença controlada de forma muito rígida.   Quem estourasse em faltas (que eram pouquíssimas) corria o risco de ser desligado.   Fazia bastante sentido, pois éramos pagos pra estudar e não faríamos mais do que obrigação em estar presente. Numa certa tarde, eu deveria fazer um trabalho conjunto com um colega de turma (conhecido desde o cursinho pré-vestibular) que morava próximo.   Na chegada à sua casa, cometi a besteira de passar correndo para pegar o elevador sem ver que havia uma parede de vidro na frente.   Resultado: arrebentei a cara na tal parede.   O impacto foi tão forte que o barulho chamou a atenção do porteiro. Cheguei na casa do meu amigo com o nariz sangrando pelos poros da pele, tal a hemorragia resultante.   É claro que não consegui fazer o trabalho.   A mãe dele me forneceu g...

MELANCIA

  Esse episódio me foi contado por 3 pessoas diferentes, sendo 2 deles testemunhas oculares e tem uma total similaridade com as demais postagens desse blog.   Obviamente, não vou mencionar nomes e datas verdadeiros para resguardar as pessoas e a instituição que não tem culpa dos idiotas que aparecem por lá. Em um certo centro de lançamento de foguetes em Pindorama, foi feito o lançamento de um foguete de treinamento.   Como o próprio nome indica, seu objetivo era treinar as equipes.   Entretanto, o tal foguete já estava estocado há algum tempo e no momento da comutação da energia externa para energia interna, sua bateria arreou.   Acontece que o tal lançamento também tinha um outro objetivo que era saudar o novo chefe que chegava.   Assim, foi dada a ordem de lançar assim mesmo (vide postagem Decisão Política). Evidentemente, o sistema de transponder, que permite rastrear a trajetória do foguete, não funcionou e o veículo voou às cegas até cair no mar. ...

MINTA !

  Eu já estava bastante perplexo com atitudes como aquela descrita na postagem Mentira do Bem, quando, recentemente, presenciei outra ainda pior. Eu estava em um foro de empresários para discutirmos problemas com uma determinada autarquia federal.  Havia uma discussão em painel com a presença de diversas autoridades, sendo uma delas um diretor da tal autarquia. Alguém então apresentou um problema bastante comum.  Ao se tentar buscar algum tipo de apoio financeiro governamental, enfrenta-se uma burocracia esquizofrênica que frequentemente dá um nó em si mesma.  Quero dizer com isso que, não raramente, certas exigências são conflitantes entre si e impedem que qualquer um possa continuar no processo de seu preenchimento. Para minha surpresa e espanto, após o empresário terminar sua pergunta, a resposta do tal diretor foi: Minta! O absurdo que eu estava presenciando era tão grande que fiquei sem ação e não disse nada.  Na postagem Mentira do Bem, o conselho ...

MEGALOMANIA

Em 2007 tive a oportunidade de ir ao Paquistão para participar de uma conferência.  Era primeira (e última) vez que estive por aquelas bandas e estava bastante curioso com tudo ao meu redor.  Dentro da carro que foi me pegar no aeroporto, comecei a conversar com o motorista (muito simpático por sinal) sobre como era a vida em seu país.  Em algum momento eu lhe perguntei qual era a população do Paquistão.  Ele respondeu de uma forma curiosa e disse: “xi! aqui tem muita gente.  Mais de 8 bilhões de habitantes.”  Me espantei com a resposta e pedi para ele repetir para ter certeza de ter entendido.  Então repliquei: “deve ter alguma coisa errada com essa sua conta pois o mundo inteiro não chega a 7 bilhões de habitantes (naquela época).”  Ele ficou bastante pensativo, como se estivesse surpreso com a possibilidade de estar errado.  Ele estava muito errado.  A população de lá não chegava a 170 milhões de habitantes. Esse episódio me veio à ...

CURRÍCULO

  No final da década de 80, quando ainda se contratava os funcionários como CLTistas, eu publiquei um anúncio no jornal (era assim que se oferecia emprego na época) para trabalhar na subdivisão de controle do IAE.   No anúncio, eu dizia a qualificação e experiência do profissional que estava procurando.   Especificamente, mencionei a simulação de sistemas dinâmicos.   Recebi vários currículos, como resposta.   Um deles me chamou a atenção pois descrevia exatamente a atividade que eu gostaria que o candidato viesse a executar como funcionário.   Assim, marquei uma entrevista com ele (vou chamá-lo de Pármenas).   Pármenas morava em São Paulo e veio acompanhado da namorada.   Pedi que ela esperasse do lado de fora da minha sala onde eu faria a entrevista (não queria nenhum tipo de interferência).   Comecei a entrevista elogiando seu currículo e pedi que ele descrevesse as atividades que tanto me chamaram a atenção.   Para minha surpresa...

FUNÇÃO MAÇANETA

  Ao longo da minha carreira, nunca sobrevivi apenas com meu salário de pesquisador.   Sempre foi necessário procurar alguma renda complementar.   Via de regra, essa complementação vinha através de ministrar aulas, fossem eventuais ou como contratado em alguma universidade ou ministrando algum curso específico (caso da EMBRATEL e Rede Ferroviária Federal).   Algumas vezes, entretanto, eu fui convidado para dar algum tipo de consultoria. Quando me mudei para São José dos Campos (1985), após alguns anos, comecei a ser chamado para dar algum tipo de consultoria técnica para empresas da área de defesa.   Nas primeiras vezes, a execução do trabalho era feita através da entrega de relatórios sem que eu tivesse que ir na empresa. A primeira vez que fui contratado para ir até uma grande empresa, me deixou bastante orgulhoso e cheio de expectativa.   Como seria o ambiente de uma empresa que produzia armamento de alta tecnologia? Estranhamente, o que me chamou ...