MINTA !
Eu já estava bastante perplexo com atitudes como aquela descrita na postagem Mentira do Bem, quando, recentemente, presenciei outra ainda pior.
Eu estava em um foro de
empresários para discutirmos problemas com uma determinada autarquia
federal. Havia uma discussão em painel com
a presença de diversas autoridades, sendo uma delas um diretor da tal
autarquia.
Alguém então apresentou um
problema bastante comum. Ao se tentar
buscar algum tipo de apoio financeiro governamental, enfrenta-se uma burocracia
esquizofrênica que frequentemente dá um nó em si mesma. Quero dizer com isso que, não raramente,
certas exigências são conflitantes entre si e impedem que qualquer um possa
continuar no processo de seu preenchimento.
Para minha surpresa e espanto,
após o empresário terminar sua pergunta, a resposta do tal diretor foi: Minta!
O absurdo que eu estava
presenciando era tão grande que fiquei sem ação e não disse nada. Na postagem Mentira do Bem, o conselho da
autoridade foi dado em petit comité.
Esse teve o descaramento de falar diante de uma plateia de mais de 50
empresários e autoridades. Não que isso
se tratasse de algum tipo de conspiração de corrupção. Foi um conselho sincero (e incompetente) de
alguém tentando ajudar a resolver um problema talvez considerado menor.
A questão que se põe aqui é a
atitude recorrente diante de problemas que se arrastam por muito tempo. Em vez de se enfrentar o problema na raiz e
resolvê-lo busca-se um subterfúgio, um atalho, que talvez resolva aquele caso
específico ainda que provisoriamente e vida que segue.
Faço uma comparação de alguém
que diante de uma grande febre devido a uma infecção, coloca uma toalha molhada
na testa para baixar a temperatura e mais nada.
Enquanto isso, o corpo está sendo destruído pela infecção.
O que se estava mostrando
naquela reunião (e não era nenhuma novidade) é que as regras criadas para apoio
financeiro estavam equivocadas e produziam mais mal do que bem. Via de regra são criadas em função de algum mal
feito ocorrido (que não é punido) e tentam impedir que ocorra novamente. Aí a prática mostra que não funciona. Os desonestos continuam se apropriando do
dinheiro público e as pessoas sérias é que são punidas por terem que enfrentar
uma burocracia desgastante e inútil.
Em vez de modificarem as
regras e quando violadas punirem exemplarmente o infrator, recomenda-se que se minta.
Na mesma reunião o tal diretor, ao
mencionar o cancelamento de um projeto cuja empresa teria se apoderado dos
recursos sem comprovação, disse que não foi sábio o cancelamento. Isso torna o próprio sistema desacreditado e
frágil. Passou-se a mensagem que a
questão é contar uma mentira crível e estaria tudo bem. Colocando no mesmo saco justos e ímpios.
Tenho dito que as regras do
jogo foram feitas para você perder o jogo.
Para ganhar você teria que mentir. Para mim ou se mudam as regras ou
prefiro não jogar.
“Uma mentira pode salvar o seu
presente, mas condena o seu futuro.”
Buda
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