MÉTRICA
No tempo em que eu trabalhava na restinga da Marambaia, mesma época da postagem Urubu Malandro, o Coronel Asdrúbal teve outra idéia. Após o fracasso na utilização do VANT, ele pensou em outro tipo de alvo, que seria um pequeno foguete a ser resgatado no mar. A proposta passava pela necessidade de consultar a Marinha para realizar esse resgate.
Então Asdrúbal procurou um
determinado setor da Marinha para negociar essa missão de resgatar um foguete
alvo. O encontro nos foi relatado pelo
próprio Asdrúbal. Após descrever o que
precisava que o barco de resgate da Marinha fizesse, ele quis se mostrar muito
participativo ao oferecer bancar o combustível que o barco gastasse. Perguntou Asdrúbal ao comandante quantos litros de combustível ele estimava que fossem ser gastos. A resposta o pegou de surpresa: aqui gastamos
por tonelada... Essa gafe virou motivo
de chacota, entre nós, por um bom tempo.
Até que, recentemente, eu passei
por uma situação semelhante. Um amigo me
pediu para fazer uma avaliação rápida de uma proposta de artigo que envolvia
controle de atitude de satélite. Após ler um resumo,
comentei com ele que estava faltando falar do tempo de transitório (tempo que o
sistema de controle leva para atingir seu objetivo). Então eu disse: ele deveria dizer quantos
segundos leva atingir a atitude desejada.
A resposta foi: o transitório é dado em número de órbitas...
De repente, me senti com a
mesma cara de tacho que o Coronel Asdrúbal deve ter ficado. Isso me fez refletir sobre o assunto. O primeiro sentimento foi de arrependimento
de ter rido do episódio tonelada versus litros.
Após isso, comecei a pensar em como usamos a nossa métrica para
avaliar aquilo que pensamos conhecer e que nem sempre é válido.
Asdrúbal estava acostumado a lidar
com abastecimento em litros de combustível.
Não seria vergonha nenhuma não saber que um navio consome tanto
combustível que é medido em tonelada. Da
mesma maneira, estou acostumado com medida de tempo transitório em segundos, não
tinha a percepção de que o tempo para um satélite (eu sabia que era muito
lento) se posicionar, poderia ser tão lento que podia levar órbitas inteiras
para terminar.
Ou seja, tanto eu quanto Asdrúbal
utilizamos a concepção de medida (métrica) que tínhamos e ela não se aplicava à
essa nova situação. Parece que a célebre
máxima de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas, das que são,
enquanto são, das coisas que não são enquanto não são” falhou em algum momento
aqui. Nossa métrica estava errada.
Prefiro o conselho do apóstolo
Paulo aos Coríntios
Se alguém julga saber alguma coisa, com efeito, não
aprendeu ainda como convém saber. 1 Co 8:2
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