ALZHEIMER INSTITUCIONAL

 Certamente uma das doenças mais conhecidas (e temidas) da atualidade é o mal de Alzheimer.  A doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo que afeta principalmente a memória, o raciocínio e a capacidade de realizar atividades diárias.

De uma forma bastante objetiva, com o tempo, a pessoa acaba por esquecer quem é.  Não lembra de onde veio, o que fez e para onde vai.

Recentemente eu estava conversando com alguns profissionais à respeito de uma certa instituição de pesquisa que já fazia um bom tempo que não produzia nada de relevante.  De repente, ouvi a seguinte frase: parece que não sabem de onde vieram nem para onde vão!!

Pronto, foi suficiente para meu diagnóstico:  Alzheimer Institucional.  A comparação era muito pertinente.  Assim como os pacientes portadores de Alzheimer vão paulatinamente esquecendo-se do que foram e fizeram e já não sabem o que fazer no presente, muito menos no futuro, assim são determinadas instituições.  Apesar de comemorarem seus aniversários de existência, já não lembram pra que existiram originalmente nem mesmo o que foram capazes de fazer. 

O presente se apresenta como um fardo de dificuldades burocráticas que só gastam energia sem nenhuma produção real para com a finalidade institucional.  Aliás essa está completamente esquecida.  Qual o próximo passo ? Ignora-se, pois não se sabe para onde se está indo. 

Isso me lembra uma conversa na famosa obra de Lewis Carol “Alice no País da Maravilhas”.  Alice pergunta ao coelho:  como faço pra sair daqui ?  O coelho replica:  para onde você quer ir ?  Ela responde:  qualquer lugar.  Então o coelho lhe diz: tome qualquer caminho.  Qualquer caminho te leva a qualquer lugar.  Quando eu não sei para onde ir, qualquer caminho serve. 

Parece que essa é a principal característica do Alzheimer Institucional.  Como não se sabe mais para onde deveria estar indo, qualquer direção serve.

Assim como se busca entender as causas do Alzheimer humano (dizem ser o acúmulo de um determinado tipo de proteína no cérebro) creio que devemos também pensar em quais seriam as causas do Alzheimer Institucional.  O argumento mais corriqueiro é falta de verba.  Um argumento genérico que não responsabiliza ninguém.  Claro que existem outros igualmente genéricos: falta de gente; impedimentos legais, etc.

Na minha visão, o principal motivo é a falta de cobrança.  Ano após ano, a entrega institucional vai diminuindo sem que ninguém se incomode com isso.  Até que finalmente se ache na total insignificância.

Um segundo motivo, estreitamente ligado ao primeiro, é não haver nenhum tipo de punição institucional.  Não há mecanismos legais para fazê-lo.  Não importa o quão improdutiva ou deficitária é a instituição, não acontece nada com seus diretores e funcionários.  Assim acontece o processo degenerativo do Alzheimer Institucional.

A questão final é: o que fazer com uma instituição com Alzheimer?  A doença humana é incurável e só resta esperar a morte.  Não seria a hora de se propor mecanismos legais para sua extinção ?

As instituições perdem a credibilidade e, cada vez mais, são ridicularizadas na opinião pública por sua ineficiência, inoperância e atos equivocados. E seus gerentes, mais preocupados em se locupletar, dão de ombros, espalham explicações pífias e tudo segue assim. Paga o preço deste circo o que ainda existe de sério ... Oscar Bessi Filho

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