EXPLOSÃO
Em fevereiro de 2009, logo após o almoço, estávamos nos preparando para uma reunião com a equipe em nossa sala de reuniões. A sala, como parte do prédio que havia sido recém “inaugurado” antecipadamente (vide postagem BESOURO) era novinha e bem adaptada. Nos sentamos em torno da mesa para começarmos os trabalhos quando fomos interrompidos por um barulho. Um estampido seco e muito forte, semelhante ao bater de uma porta. Não deu tempo de perguntar o que tinha sido aquilo, quando a onda de choque atingiu o prédio. Sendo o prédio térreo e sem laje (possuía forro termoacústico) tremeu por inteiro. Chegou mesmo a cair poeira, advinda do forro, sobre nós.
Me levantei correndo e
fui até a janela de uma sala que ficava em frente à sala de reuniões e olhei
para a direção de onde eu julgava ter vindo o som. Vi uma coluna de nuvem cinza chumbo que subia
já a uns 50 metros de altura. Claramente,
havia acontecido uma explosão. O
problema é que, ao fixar melhor minha vista sobre a coluna de fumaça eu vi, de
relance, como se fosse uma visão, que havia uma fina labareda de fogo que subia
no meio dela.
É difícil de explicar aquele
momento. Algo instintivo e sem passar
pela minha razão tomou conta de mim. Houve
uma reação imediata em todo meu corpo e minha mente. Gritei bem alto: Esvaziem o prédio !!! agora !! desliguem todos os computadores e
saiam imediatamente. Todos saiam do
prédio agora! Incontinenti, corri para
minha sala (que ficava ao lado da sala de reuniões) desliguei meu computador e
corri para a porta de saída do prédio.
As pessoas ali pareciam
que estavam meio anestesiadas. Não
tinham certeza do que estava acontecendo nem o que deveriam fazer à respeito. Eu ficava gritando: “ vamos, vamos, desliguem
tudo e saiam.” Eles foram lentamente
fazer o que eu estava dizendo. Em minha
memória, era como se tudo se passasse em câmera lenta. Quando eu cheguei na porta do prédio, já de
saída, veio a segunda explosão. Agora
com jeito de explosão mesmo. Todos
começaram a agir como se a câmera tivesse sido acelerada para fazer aquilo que
já deveriam ter feito.
Meu carro ficava
estacionado em frente ao prédio e não demorei mais que alguns segundos para alcançá-lo. Eu já estava manobrando o carro para sair dali
e eu vi algumas pessoas que estavam fazendo o mesmo – andando até seus carros. Foi quando veio a terceira explosão.
Aí sim, começou uma
correria frenética. Muitos abandonaram
seus carros e correram em direção à saída do instituto. A essas alturas eu já estava longe, em
segurança, e fiquei observando o que mais poderia acontecer. Felizmente parou por ali. O que não significava que os efeitos da explosão
haviam passado. O material químico, que havia
provocado aquilo, estava caindo incandescente e chegou a queimar alguns que
fugiam a pé. As ondas de choque das explosões,
quebraram janelas e arrancaram telhados.
Felizmente não houve
nenhuma vítima mais grave, somente danos materiais. A explosão veio do paiol que ficava a cerca
de 300 metros do meu prédio. Após esse
incidente, houve um treinamento institucional para caso de emergência e tudo
voltou à sua rotina normal. Em mim ficou
uma sensação de dever cumprido. Eu havia
protegido minha equipe e ninguém se feriu ou teve qualquer prejuízo material,
nem mesmo em nosso tão desejado prédio.
Quando me recordo desse
episódio, sempre me pergunto de onde veio aquela sensação de perigo iminente e de que eu deveria tomar alguma atitude. Mesmo
tendo tido algum treinamento militar, durante a graduação, nunca havia estado
em uma situação real de risco de destruição e morte. Eu não havia tido nenhuma experiência
anterior que me levasse a ter aquela percepção e muito menos a atitude tão ágil
e certeira. Premonição ou não, o
importante nessas horas é tomar alguma atitude e essa foi tomada e a benção veio...
E os teus ouvidos
ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho,
andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda. Isaías 30:21
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