DIGI-DENÚNCIA

 Em junho de 2013 tive a oportunidade de participar do 9th Asian Control Conference que ocorreu em Istambul.  Eu já vinha participando de diversos congressos europeus da área de controle.  Havia, então, uma curiosidade para ver como seria sua formatação.  Como era o mês do meu aniversário, resolvi levar minha esposa junto comigo.  Nada que não tivesse acontecido antes.  Sempre que havia uma oportunidade, tanto de disponibilidade financeira como de tempo, eu a levava comigo em minhas viagens.  A participação no congresso foi financiada pelo projeto SIA.  A viagem de minha esposa foi, obviamente, integralmente paga por mim.  Tanto o congresso como a viagem em si transcorreram sem nenhum problema.

Seria apenas mais uma boa lembrança se, algumas semanas depois, eu não tivesse recebido uma notificação do Ministério Público Federal com uma digi-denúncia.  Um desconhecido havia, através da internet, feito uma denúncia contra mim com respeito à viagem feita.  Eu estava sendo acusado de estar usando os recursos do projeto para financiar a viagem a minha esposa.

Além de não apresentar nenhuma prova sobre isso, a forma da denúncia chamava a atenção.  Escreveu o denunciante:  “muito tem se falado que ele (Waldemar) tem viajado para o exterior com a esposa às custas do projeto”.  Ou seja, ele estava colocando palavras na boca de outrem.  O denunciante era tão covarde que se colocava como um intermediário de alguém não identificado.

O MPF, solicitava que eu me manifestasse em relação à essa denúncia pois haviam feito um levantamento na polícia federal e encontraram o registro de saída do país da minha esposa.  Isso seria um possível indício de que a denúncia procedia.

Ora essa !  É claro que havia registro de saída dela.  Ela não se ausentou do país clandestinamente.  O que isso indicaria que o recurso da viagem seria ilegal ?  Não havia, de fato, nada que embasasse a denúncia.  Minha resposta foi muito simples.  Encaminhei a cópia de meu cartão de crédito com a compra da passagem da minha esposa, bem como uma carta da fundação que administrava os recursos do projeto (FUNDEP) dizendo que ela não havia recebido nenhum recurso do mesmo.  Ou seja, eu tive que provar a minha inocência enquanto o acusador não teve que provar coisa nenhuma.

Outra vez o MPF estava sendo utilizado com um instrumento de agressão à minha pessoa (vide postagem JEZABEL – a denúncia).  Para agravar a questão, através da tal digi-denúncia, nem o MPF sabia quem havia feito a denúncia.  Assim, eu não poderia acionar civilmente o denunciante por calúnia.  É claro que isso me deixou muito indignado, mas eu nada poderia fazer a respeito.

Pouco tempo depois da questão ter sido resolvida (se arrastou por meses), eu estava conversando com o vice-diretor sobre a minha indignação quando fiquei sabendo que o tal denunciante anônimo havia, primeiramente, procurado o diretor.  Ou seja, o cretino era, de fato, funcionário do instituto.

Procurei, então, o diretor Brigadeiro Nostradamus (vide postagem Besouro) e fui bem direto com ele.  Brigadeiro fiquei sabendo que a pessoa que me denunciou (ele sabia da denúncia) veio primeiro falar lhe falar.  É verdade ? Sim, respondeu ele.  Quem foi ? perguntei.  Resposta: “Não lembro”.

Com certeza ele não estava demonstrando início de Alzheimer.  Com essa resposta ele estava dizendo : deixe do jeito que está.  Ou seja, ele sabia que eu iria reagir à agressão que me havia sido feita e não queria mais problemas na organização.  Em outras palavras, varrer o lixo pra debaixo do tapete.

Eu já havia completado meu tempo de aposentadoria fazia 3 anos mas havia me comprometido em ficar na gerência do projeto SIA até o seu final.  Após aquela resposta, na mesma semana, entrei com meu pedido de aposentadoria.  Fiz questão de mandar um e-mail para o vice-diretor explicando minha decisão: quem garante que não vai acontecer de novo ?

Depois de enfrentar os mais diversos e estranhos problemas e desafios (motivação desse blog) eu me sentia cansado e desamparado pela instituição.  Não importava o quão absurdo fosse o problema, o essencial era preservar a imagem da instituição.  Mesmo que às custas da integridade dos funcionários.

“A impunidade é a matriz e a geratriz de novos e insensatos acontecimentos e o desmoronamento do que ainda resta de bom na alma humana.”  Leon Frejda Szklarowsky 

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