PRODUZINDO ÁGUA

 A conclusão do LINCS foi bastante festejada por alguns e nem tanto por outros.  Haviam críticas das mais diversas direções, com nuances que chegavam ao ridículo.  A própria obra incomodava os vizinhos, que não poupavam reclamações: desde a presença dos operários, os detritos da obra, o barulho e até a água da chuva.

Após uma chuva forte, houve uma inundação entre o prédio do LINCS e o prédio ao lado (cuja parede ficava uns 10 metros de distância.  Acumulou uns 10 centímetros de água, quase invadindo os prédios.

Evidentemente, os vizinhos acusaram a obra do LINCS de ser responsável por aquela situação.  Essa narrativa se desfez quando descobriram que a causa havia sido uma obra externa de escavação (que ficava uns 50 metros do LINCS).  Um trator utilizado naquela obra havia esmagado os dutos pluviais que, sem permitir mais a passagem de água, havia causado aquela situação.  A tal escavação não tinha nada a ver com a obra do LINCS.  Ou seja, nós não tínhamos nada a ver com o pato.

Durante esse processo de investigação da inundação, recebi a visita do vice-diretor administrativo.  Ele veio ver in loco o que estava acontecendo.  Foi quando fiquei sabendo que, as mesmas pessoas que haviam acusado a obra do LINCS de causar a inundação também estavam reclamando de que o telhado do prédio estava jogando água nas paredes do prédio vizinho.

O vice-diretor me reportou que o telhado do prédio estaria jogando mais água do que antes nas paredes vizinhas porque “produzia” mais água.  Nesse momento passei por um daqueles rompantes de fúria (tolerância zero para sandices).  Respondi: “quem disse isso é um idiota!  O telhado tem a mesma área do telhado anterior e, portanto, capta a mesma quantidade de água.  O que está acontecendo é que, como está mais alto do que antes, a água chega ao chão com mais velocidade e respinga mais longe.”

O vice-diretor ouviu aquilo calado e se retirou depois de eu ter me comprometido a colocar uma calha do telhado, que resolveria a pingadeira.  Obviamente, a quantidade de água drenada seria a mesma só não respingaria no vizinho.

O mais engraçado desse episódio é que depois fiquei sabendo que quem havia feito a tal afirmação de que o telhado produzia água foi o próprio vice-diretor.  Ou seja, eu havia chamado de idiota, sem saber que estava falando com o próprio.  Talvez ele tivesse se calado por educação ou talvez ele tenha percebido de que havia realmente falado uma idiotice.  Nunca mais se falou no assunto.

Esse é mais um caso que merece reflexão.  O que levaria as pessoas, que trabalham em uma determinada instituição, se posicionarem contra qualquer tipo de mudança de sua rotina mesmo que seja para do cumprimento do objetivo da própria instituição?  Seria só pelo incômodo ?  Seria por inveja de não tido a oportunidade ou capacidade de fazer o mesmo ?  Seria pelo receio de que a aquela produtividade ressaltaria a sua improdutividade ?  Não havia algum tipo de temor de retaliação contra aquelas picuinhas ?  Será que não viam as dificuldades pelas quais passamos e como foi difícil superá-las ?

Não estou dizendo que não aconteceram problemas.  As postagens aqui feitas relatam uma enormidade de situações anômalas que não causaram problemas só para mim.  Mas sempre mantive o foco onde eu queria chegar.  Se ficasse dando demasiadamente atenção aos problemas não conseguiria chegar ao fim.  Na melhor das hipóteses, as críticas vieram de pessoas que, por qualquer que seja o motivo, nunca conseguiram produzir algo do mesmo porte.  Seja qual tenha sido a real motivação, eles nunca vieram nos parabenizar pelo sucesso alcançado.

A inveja vê sempre tudo com lentes de aumento que transformam pequenas coisas em grandiosas, anões em gigantes, indícios em certezas.

Miguel de Cervantes

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