EMBUSTE

 Até o início da década de 90, nossa tabela salarial era estabelecida pelo próprio CTA, assim como em todas as organizações semelhantes.  Em um determinado momento, o governo federal definiu um reajuste de uma certa gratificação para seu funcionalismo.  Acontece que o responsável por implementar esse reajuste não o fez segundo os percentuais devidos.  Isso gerou a grande confusão descrita na postagem GATA.  Mas o que não foi descrito é o que aconteceu pouco depois do não recebimento da gratificação correta. 

Um grupo de funcionários do IAE (eu inclusive) fez uma solicitação formal, através de parte individual, para que o CTA implementasse corretamente a correção da gratificação.  Na semana seguinte, veio a resposta, também de maneira formal, assinada pelo assessor jurídico da organização.  Dizia o seguinte: solicitação negada baseada no parecer jurídico XYZ da procuradoria da fazenda.

Isso, para mim, não tinha muito significado, já que eu não sabia o conteúdo do tal parecer citado.  Na verdade, nem tinha ideia do que seria isso.  Mas resolvi procurar saber.  Fui a um escritório de advocacia e procuraram num tal IOB (informações Objetivas).  Foi rápido de encontrar o tal parecer do qual pedi uma cópia.

Para minha total surpresa, o parecer era uma resposta a um pedido de devolução de diárias em moeda estrangeira.  Não tinha alhos com bugalhos a ver com reajuste de gratificação.  Ou seja, a resposta do assessor jurídico não passava de um embuste.  Ele queria negar a petição – não sei baseado em quê – e inventou uma resposta aleatória para ter o que responder.  Será que ele supunha que ninguém iria procurar saber do que se tratava ?  Poderia escrever qualquer bobagem e encerrar o caso ?  Na verdade, estava chamando a todos de idiotas.  Obviamente, isso foi comunicado à diretoria do instituto que nada fez à respeito.

Isso me deixou profundamente indignado.  Não se tratava mais de um assunto financeiro mas da maneira como estava sendo conduzido.  Será que o instituto não se importava com o que seus funcionários pensassem à respeito da própria organização ?  Sendo enganados de forma tão estúpida.  Será que aquilo estava acontecendo porque éramos civis e não militares ?  Será que o corporativismo era tão grande para não querer admitir que cometeram um erro ? 

Esse assunto ficou entalado na garganta por muitos anos e muita gente deixou o instituto atrás de novas perspectivas.  Entretanto, outros foram atrás de solução em instâncias superiores (não foi o meu caso).  Até que em 1995, os valores foram pagos todos de uma vez.  Entretanto, isso foi uma benção momentânea, até explodir na confusão descrita na postagem GATA. 

Tudo o que aconteceu foi uma sequência de ações, feitas por pessoas, que geraram um enorme prejuízo financeiro e moral (também de perda de tempo e energia).  Nenhuma foi punida por seus atos.  De fato, provavelmente nem acham que tenham feito nada de errado ou repreensível.  Mesmo tendo muitas pessoas reclamando do que estava acontecendo e apontando os descalabros, mantinha-se os responsáveis (incompetentes) em suas funções como se fosse um confronto com os reclamantes.  É o corporativismo no apoio ou negligência aos crimes, desmandos e malfeitos da organização.

O corporativismo, aliado a hipocrisia, conduz grupos a condenarem quem se defende dos vermes da sociedade, bem como ajuda na absolvição dos criminosos de alma cuja a benevolência é uma representação cênica.  Numa civilização que vive de imagem e de teatro, ninguém perde tempo buscando se informar sobre conteúdos.   Graça Leal

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DE VOLTA PARA O FUTURO

O FURO

DESABAFO