TOMANDO DECISÕES
Após o acidente com o VLS em
2003, que vitimou 21 colegas meus, aconteceram uma série de discussões sobre o
que poderia estar errado e o que deveria ser modificado para melhorar o desempenho
institucional. Uma das críticas surgidas
à época era que a estrutura organizacional não era adequada.
Em um determinado dia, de
surpresa, fui chamado para participar de uma reunião para discutir uma nova
estrutura organizacional. A princípio,
fiquei bastante animado por 2 motivos. Um
que estaria sendo discutido um problema real que merecia atenção e dois que eu
poderia participar da solução.
Para minha surpresa, quando
entrei no auditório onde ocorria a reunião, me deparei com ninguém menos que
Estupídio dirigindo a mesma. Ele é o
personagem da postagem DESERTOR.
Não que eu estivesse de má
vontade com ele, mas eu já tinha claro uma frase “anti-coach” de onde menos se
espera daí é que não sai nada mesmo. Assim
fiquei um tanto desconfiado do que estava por vir.
Não demorou muito para
Estupídio mostrar que fazia jus ao codinome.
Ele mostrou um organograma para o instituto e logo abaixo da caixa do
diretor aparecia uma caixa de um comitê de avaliação. Então ele explicou que seria um comitê para
avaliar as decisões do diretor. Vejam
bem, não um comitê de assessoramento, um comitê de julgamento das decisões do
diretor.
Fiquei atônito diante daquele
absurdo e imediatamente perguntei qual era a necessidade de existência daquele
comitê. Estupídio respondeu: é para minimizar
os erros! Ao que repliquei incontinenti:
e também minimizar os acertos ! pois
assim não se decide nada. Estupídio
demonstrou insatisfação ao concordar comigo, tentando encerrar a questão.
Em seguida, percebendo que
estava perdendo meu tempo ouvindo absurdos, pedi licença dizendo que estava na
reunião errada, me levantei e saí. Nunca
soube qual foi a conclusão que saiu dali.
Aquela proposta era
disparatada. Primeiramente, por se
tratar de uma organização militar que prima pela hierarquização. Jamais um diretor aceitaria ter suas decisões
avaliadas por um comitê seja ele o que fosse.
Mas não seria apenas questão de hierarquia militar, a própria definição
de ser um chefe ou gerente de qualquer assunto exige que ele tome decisões. A ideia de um comitê avaliador de decisões,
existe em empresas. Entretanto, esse comitê é superior ao próprio chefe, tendo inclusive
o poder de demiti-lo.
Estupídio desempenhou cargos burocráticos
onde bastava seguir as regras. Acredito
que raramente era desafiado a tomar decisões que não estivessem já escritas em
alguma norma. Isso explicaria a proposta
idiota. No fundo havia uma motivação,
tirar a responsabilidade de quem decidia.
Decisões em conjunto aparentemente diluem a responsabilidade. Entretanto, as consequências das decisões são
sua melhor avaliação.
Um comitê que avaliasse as
decisões de um gerente torna esse gerente um mero capataz. Um simples operacional sem responsabilidade
para com a decisões tomadas. Como disse o
famoso empresário Antônio Ermínio de Morais: chefe não colhe votos, colhe
opiniões. A decisão é dele. Chefia existe para tomar decisões.
Ao longo da minha carreira, vi
muitos chefes que se esquivavam de tomar decisões, não apenas por falta de
competência para isso mas, principalmente, para que as consequências não
prejudicassem suas próprias carreiras. Isso só faz sentido para uma carreira que não
seja meritocrática. Ou para aquelas cujo
mérito é não incomodar ninguém.
Até criei uma ilustração pra isso. Um jogador de futebol que ao terminar o jogo se gaba: “não errei nenhum passe. Também não peguei na bola.” Ou seja, era um perfeito inútil e não teria feito diferença se não estivesse em campo.
Procrastinar traz alívio imediato e fracasso a longo prazo. Josevan Oliveira
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