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QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO ?

  Durante a campanha de lançamento do primeiro VLS, em 1997, todos os dias havia um monitoramento atmosférico.   Era lançado um balão meteorológico para registrar diversas medidas, tais como velocidade do vento, temperatura e pressão atmosférica.   Esses dados deviam ser registrados em função da altitude e, para isso, utilizava-se um módulo GPS. Até aí nenhum problema.   A questão que surgiu é que, exatamente no dia do lançamento, o GPS não funcionou.   O balão foi lançado na mesma hora de sempre e, dessa vez, os dados do GPS não foram registrados.   Como o receptor GPS estava a bordo do balão, não se teve maiores informações sobre o que teria ocorrido. Ficou-se com uma pulga atrás da orelha já que, em todos os dias, estava tudo normal e somente no dia do lançamento não havia funcionado.   Teria sido coincidência? A pulga transformou-se em um grande carrapato quando no lançamento seguinte, em 1999, aconteceu novamente.   Para nós havia ficado ...

MENTIRA DO BEM

  Alguns anos atrás, minha empresa, juntamente com outra da área espacial, nos candidatamos a uma encomenda tecnológica (uma modalidade alternativa para licitação) em uma organização governamental.   Devíamos apresentar um projeto de engenharia para um equipamento bastante especializado.   Fizemos um trabalho bastante sério e detalhado, tanto do ponto de vista técnico como do ponto de vista orçamentário. Aconteceu, então, uma reunião através de vídeo conferência para discutir nossa proposta.   Essa reunião era com um dos diretores da tal organização.   Ele elogiou bastante nossa proposta, mas fez uma ressalva muito estranha.   Ele solicitou que modificássemos nossa proposta pois havia um item que “os procuradores” poderiam não gostar - que era gestão do projeto.   Como já não bastasse o comentário absurdo, o diretor sugeriu explicitamente que retirássemos o item e distribuíssemos seu valor por outros itens. Argumentamos que gestão de um projeto d...

TORRE DE BABEL

  A partir de 1985, já trabalhando no IAE, havia uma intensa necessidade de se produzir programas de simulação.   Várias necessidades diferentes de um mesmo problema que exigia que cada um fizesse o seu próprio programa para resolver sua questão específica. Isso não soaria como um problema se todos usassem a mesma linguagem, mas não era isso que acontecia.   Cada profissional tinha suas próprias preferências que aprendera na época de estudante.   Assim, havia quem preferisse Pascal, outros Basic, outros ainda estavam familiarizados com o antigo FORTRAN.   Assim, diversos programas, que se referiam a um mesmo problema maior, não se falavam (nem se entendiam) com o outro.   Era uma verdadeira Torre de Babel .   Decidi então solicitar ao engenheiro Stuart (das postagens Milagre) que fizesse reuniões com a equipe para chegar a uma conclusão de qual software seria utilizado por todos, para que houvesse padronização e intercambialidade do que se estava f...

ENERGIA MÍNIMA

  Durante o pré-vestibular (1973) recebemos a visita do professor dono do curso Miguel Couto que era especializado em preparação para medicina (mais tarde houve a fusão Miguel Couto – Bahiense).   Esse professor deu uma breve explicação que me acompanhou para o resto da vida. Ele pegou uma caixa de fósforos e ficou esfregando o palito lentamente na superfície de risco (a que acende o fósforo).   Depois de um breve momento, ele perguntou: o que está acontecendo aqui ? o que eu vou conseguir com isso ?   vou gastar a cabeça do fósforo e a superfície de risco e o fósforo não vai acender.   Porquê ?   Porque estou abaixo da energia mínima que deflagra a reação que acende o fósforo.   Então, ele fez um movimento brusco com o fósforo na superfície de risco e o fósforo acendeu.   O professor arrematou: entretanto, se dou uma energia suficiente (acima da mínima) a reação se inicia. Percebi que havia recebido uma verdade transcendental.   Não é s...

REGULAMENTAÇÃO

 A pós minha aposentadoria, comecei uma empresa de consultoria, a CLC.   Entre projetos de Guiamento, Navegação e Controle de foguetes, também nos tornamos representantes de algumas empresas internacionais.   Uma delas produz mesas rotativas para calibração de sensores. Alguns anos atrás essa mesma empresa (representada) nos contactou para dizer que outra empresa, situada na cidade de São Paulo, havia solicitado um orçamento para calibração de uma mesa rotativa de sua propriedade.   Acontece que a tal mesa era totalmente mecânica, o que tornava a calibração pretendida muito simples.   Não seria viável, economicamente falando, enviar um profissional do exterior para esse serviço. Então, essa empresa que representamos, nos perguntou se não poderíamos nós mesmos fazer o serviço.   Respondi que sim e entrei em contato com o potencial cliente para oferecer nosso serviço de calibração.   Obviamente, me identifiquei com representante técnico da empresa pr...

CRIME PERFEITO

  Na postagem anterior (A SOLDA) percebe-se que, apesar de haver acontecido um acidente grave que causou o encerramento de um projeto relevante, ninguém foi responsabilizado.   Mas esse não foi o único episódio, que presenciei, com o mesmo resultado.   O próprio acidente com o VLS em 2003, após extensa investigação não responsabilizou ninguém.   Concluiu-se, que uma série de fatores contribuíram para o acidente.   Entretanto, nenhum deles apontava algum responsável.   Motivos como falta de recurso ou falta de pessoal, embora verdadeiros, não responsabilizam ninguém. Esse tipo de abordagem é muito antigo.   Foi na época que eu trabalhava no CTEx, que ouvi de um ex-professor meu do IME (um oficial muito lúcido) que se tratava de um crime perfeito .   Segundo ele, crime perfeito é aquele que quando investigado só encontra vítimas.   Ao final na investigação conclui-se que todo mundo é vítima e ninguém é culpado.   Perfeito! Como se po...

A SOLDA

  Em 1982 eu já havia deixado o projeto ROLAND e estava trabalhando no projeto ATTMM (Aquisição de Tecnologia em Tele-direção e Materiais para Mísseis.   Isso não significava que o ROLAND tivesse sido abandonado.   Decidiu-se começar a nacionalização do sistema (que era o objetivo do projeto) pelo veículo lançador do míssil.   A equipe que trabalhava nisso trabalhava no mesmo prédio do projeto ATTMM. Depois de um grande esforço de engenharia e burocracia conseguiram construir um protótipo da torre de lançamento do Roland, que foi montada sobre uma viatura convencional já existente.  Na véspera do ensaio de aceitação do sistema (não lembro se era para um tiro real ou não), o veículo foi transportado para o local de teste em uma carreta de transporte própria para isso. Lembro-me claramente desse dia quando um dos engenheiros que trabalhava no projeto, adentrou na sala, com os olhos esbugalhados, dizendo que havia acontecido um acidente e toda a viatura com a t...