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COM PRESSA

  Para quem não sabe, preparar uma campanha de lançamento dá muito trabalho e exige um planejamento prévio meticuloso.   Não se trata apenas de comprar as passagens aéreas dos participantes nem aprovisionar os recursos para diárias.   Há necessidade de interdição de espaço aéreo e naval.   Transporte de material sensível bem como todo o plano de ação e segurança.   Isso significa que datas precisam ser respeitadas, caso contrário tudo se perde. Em 1987 estávamos nos preparando para o lançamento do terceiro protótipo do SONDA IV.   Uma atividade essencial era a simulação “hardware in the loop” do sistema de controle, que envolvia o uso de uma mesa rotativa de 3 graus de liberdade.   Essa atividade estava no caminho crítico para o lançamento. Faltava uns 3 meses pra o lançamento quando essa mesa apresentou uma pane.   Nosso técnico, bem treinado e competente, identificou imediatamente o defeito.   Era um módulo regulador de tensão.   S...

Apenas um Engano

Dois eventos semelhantes aconteceram em um curto período de tempo em organizações diferentes. Eu já estava no IAE fazia mais de 3 anos quando o instituto onde eu trabalhei anteriormente (IPD/CTEx) entrou em contato comigo para que eu os ajudasse a dar utilidade ao computador analógico EAI-2000, que pelo jeito, estava parado desde a minha saída.   Fiz uma proposta que se dividia 3 em partes: ensinar o que era simulação analógica e como preparar o algoritmo de simulação analógica; ensinar o que era o computador EAI-2000 e, por último, preparar uma receita de bolo de como programá-lo.   Ficou acertado de que seria apenas a receita de bolo e o seu valor.   Eu preparei o texto, em algumas semanas, e encaminhei. Faltava apenas o pagamento que, segundo eles, havia sido feito mas eu não havia recebido.   Depois descobriram que houve um engano .   O responsável pelo pagamento havia digitado o número do meu CPF errado e que, por isso, o pagamento não havia sido realiz...

LIDANDO COM A BUROCRACIA

  Quando assumi a chefia da sub-divisão de controle em setembro de 1987, eu tinha em mente ser um chefe exemplar.   Imaginava eu que faria tudo certinho e, como consequência, tudo sairia conforme o planejado.   Estava disposto a dar o melhor de mim para planejar tudo conforme o figurino, atender a todas as demandas e ter um desempenho técnico do mais alto nível. Acho que, inconscientemente, eu considerava que os outros chefes não faziam isso ou talvez nem tivessem tentado.   Mas eu estava errado, muito errado.   Se outros chefes não levavam a sério determinados procedimentos é que eles aprenderam que não eram dignos de serem levados a sério mesmo.   Haviam aprendido que planejar apenas significava um desejo.   Um preencher de papelada sem uma relação direta com o que realmente iria acontecer.   Eu ia levar algum tempo para perceber isso. Já no primeiro ano, gastei um bom tempo preenchendo o planejamento financeiro e de treinamento para minha e...

LIMPANDO A ÁREA

  A subdivisão de controle era dividida em 4 seções : pilotagem (da qual eu era chefe); guiamento; sistemas inerciais e software.   Periodicamente o chefe da subdivisão fazia reuniões com os chefes das seções para planejar e avaliar o andamento das atividades.   Eu me sentia incomodado com as atitudes do chefe da seção de sistemas inercias o Tenente Embromélio (nome fictício).   Embromélio tinha sido transferido de outro instituto e me parecia que não tinha a mínima vontade de estar ali.   Sempre que era sua vez de falar das atividades correntes de sua seção, ele criticava de forma grosseira a própria divisão por, segundo ele, nunca ter dado a ele as especificações do que ele devia fazer.   Em outras palavras, ele cobrava para não ser cobrado e nunca apresentava nada. Eu achava ridículo que um engenheiro formado no ITA tivesse tal conduta.   Mas como ele não era responsabilidade minha, eu me mantinha calado. Já na seção de software havia o Cristald...

JEITO CERTO

Os 3 primeiros anos no IAE foram mágicos.   Embora o salário fosse ainda baixo (mesmo 60% maior que o anterior) a motivação era incrível.   Não apenas porque estava trabalhando em um assunto interessante e que eu gostava mas porque estava sendo feito do jeito certo .   Eu diria que a mudança não era da água para o vinho, se parecia mais como do barro para o ouro. Não estou dizendo que não haviam problemas – já descrevi alguns em posts anteriores – mas tratavam-se de falhas pessoais ou mesmos burocráticas (praga que atinge a toda a sociedade).   Estou dizendo que estávamos estruturados para atingir um objetivo proposto e perseguíamos esse objetivo.   Havia uma organização claramente definida em suas atribuições e metas e todos trabalhavam em prol do objetivo comum.   As pessoas estavam tão envolvidas no que faziam que era comum ficar até bem depois do fim do expediente sem se perceber que a hora de ir pra casa havia chegado.   Foi, de fato, um tempo...

COTAS

  Esse post é para explicar a ojeriza que me causa a palavra cota.   Não no sentido de uma parte de um todo que cabe a um indivíduo fazer e que dependa apenas do seu esforço próprio, uma meta (exemplo: produzir a cota de parafusos do dia) mas quando isso envolve outras circunstâncias, alheias ao próprio significado da cota. Quando estava no IME, um colega meu de turma, capitão do exército, sujeito brilhante, me contou como ele fora parar lá.   Estava servindo em um quartel e foi chamado pelo seu superior que lhe passou uma cota de punição para os soldados.   Ele deveria escolher um certo número de soldados e puni-los.   Isso manteria a tropa disciplinada, argumentou o chefe.   Meu colega se recusou a fazer tal descalabro e, em função disso, foi transferido para tomar conta da biblioteca.   O que ele fez ?   Aproveitou a oportunidade para estudar e passou para o IME onde se formou como primeiro aluno de sua arma. Alguns anos depois conheci um ...

INCOERÊNCIA

Até o final da década de 80 as contratações para trabalhar no IAE eram feitas diretamente no próprio IAE no regime C.L.T.   O plano de carreira (muito bem feito por sinal) definia as funções de cada cargo.   Eu havia sido contratado como Pesquisador Assistente.   O nível inicial era Pesquisador Auxiliar.   Aconteceu que um determinado engenheiro (que chamarei de Perseu) se interessou em trabalhar no IAE.   Fez uma entrevista técnica e foi encaminhado para contratação.   Quando ele ficou sabendo qual seria o salário, questionou que o valor estava abaixo do salário mínimo de engenheiro previsto pelo CREA.   A resposta foi que ele não estaria sendo contratado como engenheiro e sim como pesquisador (que incluía também físicos, matemáticos entre outros).   Perseu não gostou muito mas pareceu uma resposta razoável e ele continuou o processo. Então lhe passaram a lista de documentos que ele deveria apresentar para ser contratado.   Para sua surp...