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QUESTÃO DE AUTORIDADE

  O ano letivo do curso de Análise de Sistemas Lineares terminou com uma alta taxa de reprovação.   Na verdade, o percentual de reprovação dos que fizeram as provas foi em torno de 40% o que não é nenhum absurdo.   Entretanto, como eu havia passado a fazer a chamada, um enorme número de alunos foi reprovado por falta (abandonaram o curso ou que nunca o assistiram).   Assim, o total de reprovação chegou a 70%. Em Janeiro de 1993 eu estava aguardando a atribuição das aulas do novo ano letivo quando recebi uma ligação do departamento me pedindo que fosse até lá conversar com o coordenador.  A chegar na escola, o coordenador me informou que os alunos reprovados haviam feito um abaixo assinada para a reitoria dizendo que não se matriculariam na matéria de Sistemas Lineares se eu fosse o professor.  Disse, então, que eu poderia escolher outra matéria para ministrar. Tentei argumentar com o coordenador que o problema não era o nível de reprovação e sim a turma...

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Naquela época (1992) as cadeiras da engenharia eram anuais e as notas trimestrais.   Após o primeiro trimestre, como já era esperado, o resultado foi bem ruim.  Então, a turma fez uma abaixo-assinado contra mim no departamento, solicitando que o curso fosse reiniciado.   O chefe do departamento, um professor mais antigo e muito educado, veio conversar comigo pedindo que eu recomeçasse a matéria desde o início e procurasse uma maneira de motivar os alunos.   Eu disse para ele que faria tudo o que ele estava pedindo mas que eu tinha certeza que não adiantaria pois o problema era outro. Na aula seguinte eu avisei a turma que recomeçaria a matéria e que iria dar um trabalho para melhorar a nota.   O trabalho proposto seria uma monografia sobre um tema à escolha do aluno, entre 8 temas que eu escrevi na lousa.   Não era obrigatório.   Quem não quisesse fazer não haveria nenhum problema e quem fizesse poderia ganhar até 2 pontos para somar na média. ...

INVERSÃO DE PAPÉIS

Em 1992 consegui uma vaga como professor no curso noturno de engenharia de uma tradicional universidade em uma cidade vizinha.   O salário era baixo mas eu estava precisando muito de uma renda extra.   Além disso, sempre gostei de dar aulas e a matéria era uma que eu gostava muito de lecionar – sistemas lineares.   Eu já havia lecionado essa matéria na Universidade Gama Filho em 1984. Eu estava muito empolgado para começar.   No primeiro dia de aula, havia cerca de 60 alunos na sala.   Entretanto, pela lista de chamadas, fiquei sabendo que a turma tinha 110 alunos matriculados sendo que 40 deles eram repetentes.   Logo percebi o potencial de encrenca que isso representava.   A lista de chamada ficava na entrada da porta para que os alunos assinassem.   Não faria sentido o professor fazer a chamada de 110 nomes quando deveria estar dando aula.   Algo me dizia que eu deveria prestar a atenção nisso. Ao final da aula eu resolvi fazer a cha...

DENUNCIA

Após a reestruturação organizacional ocorrida devido à fusão do IAE com o IPD, o próprio projeto VLS passou a ser conduzido de maneira diferente.   Começaram a ocorrer reuniões com todo o pessoal, em nível de chefia, envolvido no projeto. Devido ao grande número de participantes, essas reuniões aconteceram em um auditório onde havia um tablado em que a pessoa que estava expondo alguma coisa se posicionava.   Em uma das primeiras reuniões Kruger, que agora estava no grupo de engenharia de sistemas, tomou a palavra para expor as condições da rede elétrica do VLS. Qual não foi a minha surpresa quando ele, ao se referir ao sistema de controle, disse que não havia documentação do projeto de sistema de controle.   Eu estava na plateia e reagi imediatamente.   Você ficou maluco! Disse eu alta voz.   “Como você pode dizer uma coisa dessas?   O projeto está totalmente documentado!” Kruger retrucou: não tenho conhecimento de nenhum relatório.   Respondi: “...

PROMOÇÃO ADIADA

Conforme já mencionado nos posts anteriores, o início da década de noventa foi um tempo muito difícil com relação à sobrevivência pois os salários estavam muito baixos. As promoções normalmente eram feitas nos finais de ano, seguindo o critério das avaliações feitas naquele ano.   Entretanto, o próprio regulamento das promoções previa a promoção imediata daqueles que auferissem alguma titulação.   Assim, logo que defendi minha tese de doutorado no início de 1991, eu encaminhei um documento formal solicitando minha promoção.   Na solicitação tive o cuidado de dar a previsão legal para a solicitação, citando o texto que mencionava o assunto. A solicitação foi parar na mão do A mbrósio (o mesmo do post URGENTE) que respondeu, com certa rapidez, negando a promoção.   A justificativa para a negativa era que a promoção só poderia ser dada por uma comissão definida no próprio estatuto das promoções. Procurei pessoalmente Ambrósio para me inteirar do assunto.   Qu...

ESPAÇO PARA O CARIMBO

Quando eu me formei, o papel de uma secretária era, além de ajudar na organização das atividades, datilografar os textos para o setor em que trabalhava.   Com a chegada dos editores de texto, iniciou-se um estranho processo de transferência de responsabilidades.   Os engenheiros poderiam produzir seus próprios documentos e à secretaria cabia organizar e arquivar.   Até aí tudo bem.   Foi uma grande melhoria de produtividade.   Entretanto, os textos ligados às atividades administrativas / burocráticas começaram a ser empurrados para os engenheiros.   As secretárias passaram a ser a revisoras dos textos e não as elaboradoras. Surgiu então uma deturpação inaceitável.   As secretarias solicitavam que os autores dos textos corrigem o mesmo.   Ou seja, com a desculpa da nova tecnologia, transferiram suas responsabilidades para aqueles que elas deveriam assessorar.   Como o texto era editável a secretária deveria ela mesma fazer as correções que...

GREVE INÚTIL

Em 1991 os salários estavam tão baixos que houve uma grande debandada de pessoal.   Não havia como sobreviver com aquele nível salarial.   O sindicato dos servidores em ciência e tecnologia, recém criado, fez algumas reuniões com a direção do CTA, sem resultado.   Obviamente o CTA nada podia decidir pois o salário de seus servidores era uma decisão do governo federal. O resultado foi a única greve que o CTA teve em toda a sua história.   Por pouco mais de um mês (outubro inteiro) houve uma paralisação completa dos funcionários civis, que se reuniam quase todos os dias em frente do CTA ou do INPE. O tempo foi passando e nada acontecia.   Então comecei a perceber, o que hoje eu vejo como óbvio.   Não fazia nenhuma diferença para a sociedade local ou federal se estivéssemos parados ou trabalhando.   Semelhantemente à famosa frase sarcástica sobre um mal funcionário:   não falte ao serviço pois seu chefe pode concluir que sua falta não faz falta. ...