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DETRAN

Em 1989 fui prestar consultoria em uma empresa de São Paulo chamada ESCA.  Para entrar no prédio, tive que mostrar documentos e nesse processo perdi minha carteira de motorista, que era do Rio de Janeiro. Naquela época, minha mãe, que morava no Rio, tinha uma vizinha que trabalhava no DETRAN.  Pedi que minha mãe perguntasse a ela qual seria o procedimento pra tirar uma segunda via da CNH.  A resposta foi: me manda R$300 (valor atualizado) que eu lhe mando a CNH pelo correio. Achei aquilo incorreto.  O DETRAN do Rio sempre teve a fama de ser um antro de corrupção e não seria eu que iria alimentar aquela máquina de safadeza.  Decidi então, fazer o processo por conta própria. Eu ia mensalmente no Rio visitar minha mãe, que estava doente.  Então, antecipei um dia útil para ir no DETRAN resolver a situação.  Perdi toda uma tarde em várias filas e preenchimento de formulários até que, finalmente, fui chamado em um guichê onde me deram uma tirinha de pa...

Aveenturas Russas - Araponga

No início de 1993, fizemos outra viagem para Moscou dentro do contrato com a Almaz.   A princípio, iríamos em 3 engenheiros envolvidos no projeto do VLS.   Quando apareceu um quarto “missionário”, o major Mijado (obviamente nome fictício).   Mijado era de outra organização e nada tinha a ver com o assunto que estávamos tratando.   Não se tratava da simples presença de um elemento estranho ao grupo, mas também pelo fato de que ficávamos em uma situação estranha em Moscou – escondidos em apartamento particular em vez de em um hotel (vide post – começa a saga almaz). Surpreso e um tanto revoltado com a situação, liguei para o diretor do IAE com o qual tinha uma ótima relação (somos amigos até hoje).   Ele me disse:   “Waldemar são ordens de cima – ele vai! – arranje alguma coisa pra ele fazer”.   Então, dei para Mijado a tarefa de especificar um determinado componente ao qual tínhamos interesse em adquirir. Já no primeiro dia de trabalho, Mijado apr...

A.R. Encontro nada Secreto

Em abril de 1994 tive a oportunidade de publicar um artigo técnico no maior congresso de controle de Agência Espacial Europeia ESA, na Holanda.  De lá eu iria para Moscou para mais uma rodada de conversas técnicas na Almaz sobre a produção da plataforma inercial para o VLS. Esse congresso tinha uma importância especial.  Devido ao recente desmonte da união soviética (1989), havia um interesse em atrair os pesquisadores russos.  Assim, promoveram minicursos ministrados por professores do Moscow Aviation Institute MAI.  Os cursos eram pagos e, como eu não tinha recurso, não assisti.  Mas queria muito poder ter contato com eles.  No último dia, como é praxe nesses congressos, é fornecido um banquete para possibilitar a interação entre os pesquisadores.  Quando cheguei no salão, já havia bastante gente sentada e procurei uma mesa vazia.  Eram mesas redondas grandes que comportavam até 8 pessoas.  Fiquei olhando para ver onde os professores ru...

REGRAS

No início de 1994 comecei a ministrar aulas nos cursos noturnos de uma universidade em Mogi das Cruzes chamada Braz Cubas (vide post Questão de Autoridade).   Os 8 anos que ministrei naquela instituição foram muito proveitosos em todos os sentidos.   Fazia o que gostava (dava aulas), tive ótimo retorno financeiro, muitas experiências edificantes e fiz muitos amigos entre os alunos.  Infelizmente, esse esforço extra acabou com minha saúde. Logo no primeiro ano, tivemos uma reunião com o diretor da escola de engenharia.   Ele apresentou as diretrizes e regras que deveríamos cumprir.   Uma delas, que parecia ser muito simples, ele deu especial atenção – a presença dos alunos.   Os professores deveriam fazer a chamada rigorosamente e jamais atribuir presença a um aluno ausente. Evidentemente, é notório que a presença acima de 75% é um item obrigatório para aprovação em qualquer matéria.   Entretanto, o motivo para a solicitação do rigor na chamada não ...

A.R. NÚMERO ERRADO

  Depois das primeiras viagens onde ficávamos hospedados em apartamentos particulares (vide post A.R. Começa a Saga Almaz) fui me hospedar em um hotel chamado Molodyozhny (juventude).   Esse hotel havia sido construído para os jogos olímpicos de 1980 e me informaram havia sido privatizado.   Na entrada, não notei nenhuma diferença.   A mesma burocracia e confusão.   O prédio de 20 andares tinha elevadores para números ímpares e para números pares.   Em um certo momento, quando cheguei para tomar o elevador esse acabara de sair e, portanto, iria demorar a voltar.   Tive então a “brilhante” ideia.   Tomar o outro elevador e saltar um andar acima para, em seguida, descer um lance de escadas.   Assim o fiz. Quando a porta do elevador, no andar acima do meu, se abriu, veio a surpresa.   Postado bem em frente da porta, dei de cara com um sujeito enorme.   Portava uma arma de guerra (provavelmente uma AK47) cruzada em seu peito.  ...

PLÁGIO

  O “causo” a seguir me foi enviado por um querido amigo e ex-colega de trabalho o general Iberê.   Incentivo os leitores, que tiverem vivenciados situações semelhantes às descritas aqui no blog, que me enviem esses “causos”. Em 1976, quando Iberê estava no quinto-ano do Instituto Militar de Engenharia IME, ele foi visitar a USP.   Como sendo uma visita formal, havia toda uma formalística para apresentação dos trabalhos que estavam sendo realizados por lá.   É claro que, com orgulho, os professores mostravam os avanços que eles e seus alunos faziam nas várias áreas da engenharia. Em um dado momento, foi-lhe apresentado, em uma baia de estudo, um terminal de computador onde estava um programa de estatística.   Esse programa foi pretensamente desenvolvido no âmbito de uma tese de mestrado que acabara de ser defendida e aprovada. Iberê reconheceu o programa que já havia sido instalado no IME e o sabia usar pois havia estudado com ele.   Assim, ele se sen...

ATREVIDO

Em 1995 eu fui convidado para participar de uma banca de tese de doutorado de um tal de Fredegundo (nome fictício).   Aceitei porque o assunto da tese – controle adaptativo – era também o tema da minha tese de doutorado e, portanto, assunto de meu interesse.   Ao longo da minha carreira, publiquei diversos trabalhos (nacionais e internacionais) e orientei teses de mestrado e doutorado sobre esse assunto. Recebi o texto impresso da tese com 10 dias de antecedência e tirei o fim de semana para lê-lo.   Percebi, pela introdução e pelas referências, que se tratava de um assunto desenvolvido por um autor famoso do qual eu tinha o livro.   Quando comecei a ler o desenvolvimento do trabalho, achei algo muito estranho.   A formulação inicial já dava solução ao problema.   Ora essa, qual o sentido de se buscar a solução que já se conhece? Na segunda-feira, pela manhã, liguei para o orientador e o avisei que percebia algo errado na proposição do estudo e que não ...