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O SANDUÍCHE

Até a implantação do euro em janeiro de 1999, viajar pela Europa era uma verdadeira torre de Babel monetária.   Em cada país que você estivesse, mesmo que fosse só no aeroporto, e precisasse gastar algum dinheiro, seria necessário procurar uma casa de câmbio e trocar dólar pela moeda do país.   Além da diferença entre valor de compra e venda, havia também uma taxa fixa cobrada pelas casas de câmbio, tanto para venda como para compra.   Em outras palavras, você estava sempre perdendo dinheiro, em cada país que estivesse. Como a diária naquela época era, se não me falha a memória, em torno de USD 140, que recebíamos em espécie (diferente do que aconteceu no post Viagem ao Exterior I).   Essas diferenças de câmbio acabavam por reduzir ainda mais nosso poder aquisitivo durante a viagem (que era baixo).   Lembrando que eu não tinha cartão de crédito internacional naquela época. Além do problema econômico, os voos transatlânticos de mais de 10hs tornam as viagens ...

Aventuras Russas MISSÃO SECRETA - a chegada

O avião tocou o solo em Guarulhos por volta das 6:00hs de sábado.  O alívio era grande, mesmo após uma noite mal dormida.  A próxima dificuldade a ser enfrentada seria a alfândega.  Entretanto, não foi necessário.  Ao sair do avião havia um oficial, que trabalhava conosco, nos esperando.  Ele nos disse que estava com uma viatura do CTA que iria transportar as plataformas e seus acessórios para São José dos Campos. De fato, nem vimos o desembarque do material.  Apenas pegamos nossa bagagem pessoal e passamos por todo processo de chegada sem nenhum problema.  Não tenho a mínima idéia do que teria sido combinado mas a viatura encostou ao lado do avião e pegou a carga.  Além da viatura de transporte, o diretor do IAE mandou seu próprio carro funcional para nos transportar para casa.  Uma honraria a essas alturas.   Tudo parecia um final feliz quando pegamos a rodovia Airton Senna (que na época se chamava Trabalhadores) até que próximo à entr...

Aventuras Russas MISSÃO SECRETA - a volta

Depois de passar por 2 barreiras de controle dentro do aeroporto de Moscou (eram 5 ao todo), agora era a vez do check-in.  A questão ali era quanto eu teria que pagar pelo excesso de bagagem.  Que mágica eu iria fazer para que os 10mil USD fossem suficientes para pagar o excesso de bagagem embarcada ?  Tínhamos também algum dinheiro pessoal.   Eu havia ficado sabendo uma informação importantíssima.  O custo da bagagem extra de 40USD / Kg valia de Frankfurt para São Paulo.  No trajeto Moscou / Frankfurt era 20USD / Kg.  Ou seja, o custo total do excesso de bagagem deveria ter um valor proporcional à distância percorrida para cada tarifa.  Isso faria uma boa diferença para menos. Fui atendido no guichê por uma russa que falava um inglês razoável mas, pelo jeito, não sabia fazer conta.  Descontado o peso que a primeira classe dava direito ainda sobrava quase 400 Kg.  Se fosse pagar a tarifa cheia de 40USD / Kg nós não teríamos como pag...

Aventuras Russas MISSÃO SECRETA - a estada

  Chegamos em Moscou na terça-feira à noite e, dessa vez, fomos para um hotel.  Foi muito providencial por vários motivos mas, naquele momento, estávamos destruídos e só queríamos descansar.  No dia seguinte, pela manhã, fomos direto para a Almaz ver a “encomenda” que deveríamos transportar para o Brasil. Levei um susto enorme ao ver o que deveríamos transportar!!  Os equipamentos estavam embalados em enormes caixas de madeira entremeados de placas de papelão que juntos pesavam quase quinhentos quilos.  Na mesma hora me veio à mente “não tenho como pagar o embarque desse trambolho”.  Mostrei logo minha insatisfação, ao criticar aquelas embalagens.  Porque proteger os equipamentos com papelão e madeira ?  Não conheciam plástico e isopor ?  A desculpa é que eram embalagens próprias para equipamento militar.  Fiquei pensado se havia algum motivo secreto pois eu continuava achando um tremendo trambolho. Voltamos para o hotel após o almoço, e...

Aventuras Russas MISSÃO SECRETA - a Ida

  A chegada da plataforma inercial para o VLS, que havia sido comprada da Almaz, foi cercada de sigilo e grandes emoções.  Para contar essa façanha vou dividir em 4 partes pois é muito extensa e cheia de nuances. Na manhã de uma sexta-feira de junho de 1995, recebi um telefonema do diretor do IAE, o então Coronel Ribeiro, me avisando que acabara de chegar uma portaria secreta do Comando da Aeronáutica determinando meu embarque imediato para Moscou para buscar as primeiras plataformas inerciais que haviam ficado prontas. Ficou decidido então que eu e o engenheiro Domingos embarcaríamos naquela mesma noite para Moscou e que eu deveria trazer os equipamentos como bagagem embarcada.  Isso gerava alguns problemas.  O primeiro deles é que, naquela época, o passaporte de serviço precisava ser renovado com um carimbo de autorização para cada nova viagem e não havia tempo para esse procedimento.  Decidiu-se então que eu iríamos com nossos passaportes pessoais. O segundo ...

NO MORE

Em 1987 foi lançado um excelente filme chamado The Principal (um diretor contra todos, na versão brasileira).  Nele um professor de escola pública, cujas atitudes estavam incomodando o sistema, foi mandado para ser o diretor de uma escola de periferia dominado por vagabundos e traficantes.  Na verdade, seria uma maneira de se livrar dele.  Entretanto, ele se sai muito bem, não sem antes haver uma verdadeira guerra de quebra de paradigmas.   O recém-empossado diretor passeou pelas salas de aula e demais instalações da escola observando e, em seguida, marcou uma reunião geral com todo o colégio (alunos e professores).  Havia uma grande expectativa por parte dos alunos para saber o que aquele cara tinha a dizer, afinal a escola era considerada a pior da região.  O diretor, então, se prepara para falar e seu discurso tem apenas 2 palavras NO MORE! (na tradução é dito ACABOU) Aguarda alguns instantes de silêncio (ninguém entendeu nada) e ele repet...

TREINAMENTO REALISTA

Em 1980, ainda no projeto Roland, fui designado para ser responsável pela manutenção de um simulador de combate que ficava na EsACosAAe - Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea.  O sistema era fantástico, principalmente levando em conta a tecnologia da época.  Não havia nada computacional. Era tudo feito com eletrônica analógica. O soldado entrava em um ambiente (literalmente uma caixa) que imitava o posto de tiro, onde ele poderia ter uma visão da área externa a ser defendida.  Essa paisagem era escolhida (haviam várias) entre os cenários de guerra na Europa, através de fotos de 360 graus.  Esse “ponto de defesa” seria atacado por diversos tipos de aeronaves com diversas manobras de ataque, que apareciam na imagem do cenário.  Tudo muito real.  O atirador, então, deveria ver o alvo e fazer o disparo do míssil, que aparecia na tela como um ponto de luz.  Como o míssil era tele-guiado, era necessário continuar rastreando o alvo até que fosse atingido...