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MEU HERÓI

  A década de 1990 foi especialmente difícil, do ponto de vista salarial.  Ganhávamos muito pouco e já havia tido uma greve em 1991 (vide post Greve Inútil).  Já havíamos perdido muitas pessoas qualificadas que procuraram salários mais justos.  Outros, como eu (vide post Questão de Autoridade), buscaram um segundo emprego para complementar a renda.   Com a chegada da campanha de lançamento do VLS o ambiente tornou-se mais tenso.  Como se não bastasse a responsabilidade de fazer funcionar um dos maiores projetos de engenharia do país somava-se a isso a sensação de desvalorização profissional, comparando o que fazíamos com o que ganhávamos. Foi nesse ambiente que aconteceu um episódio inesquecível.  O engenheiro Lobo (nome fictício), profissional altamente qualificado, era o chefe da equipe que estava preparando o banco do controle do veículo em Alcântara.  Foi quando ficaram sabendo que o presidente Fernando Henrique Cardoso iria visitar a bas...

CARGA

  No segundo semestre de 1997 começou a campanha de lançamento do primeiro VLS.  A expectativa era imensa.  A maior correria, mas motivação era tanta que nada poderia impedir o grande evento. Chegou o dia em que eu deveria ir para a base de Alcântara no Maranhão. Havia um profissional que cuidava dessa administração do lançamento - algo que exige muito trabalho e organização.  Esse profissional, que vou chamar Licurgo era, na verdade era da área técnica e estava deslocado de suas funções para a área administrativa, por vontade própria.  Isso é um evento muito estranho das instituições de pesquisa das quais tive contato: a quantidade enorme de profissionais deslocados de funções técnicas especializadas para a área administrativa. Pois bem, Licurgo havia me avisado que estaria comprando a passagem de avião para a minha ida para São Luiz.  Naquela manhã ele me ligou dizendo que havia conseguido uma vaga no avião do CTA que iria para Alcântara no dia seguinte. ...

O SHAMPOO

No início de 1991, passei 4 semanas em Paris fazendo um curso especializado (vide post passando vergonha).  O curso em si foi muito proveitoso.  Entretanto, a estadia foi bastante tensa.  Foi precisamente naqueles dias que os Estados Unidos lançaram uma grande ofensiva militar contra o Iraque, naquilo que hoje chama a Primeira Guerra do Golfo. Como a França fazia parte da coalizão que invadia o Iraque, temia-se represálias dos muitos muçulmanos que vivem na região.  Havia uma grande tensão no ar.  As ruas de Paris ficaram cheias de policiais e da guarda nacional (gendarmerie).  A todo tempo se ouvia: attention aux bomb.   Como era de se esperar, os principais pontos turísticos estavam fechados ou extremamente restritos.  Isso tornou os 4 fins de semanas que passamos lá (eu estava com outros 2 colegas) muito tediosos.  Então decidimos ir à principal loja de perfume de Paris - Benlux - para comprar alguma coisa para nossas esposas e familiares....

O SANDUÍCHE

Até a implantação do euro em janeiro de 1999, viajar pela Europa era uma verdadeira torre de Babel monetária.   Em cada país que você estivesse, mesmo que fosse só no aeroporto, e precisasse gastar algum dinheiro, seria necessário procurar uma casa de câmbio e trocar dólar pela moeda do país.   Além da diferença entre valor de compra e venda, havia também uma taxa fixa cobrada pelas casas de câmbio, tanto para venda como para compra.   Em outras palavras, você estava sempre perdendo dinheiro, em cada país que estivesse. Como a diária naquela época era, se não me falha a memória, em torno de USD 140, que recebíamos em espécie (diferente do que aconteceu no post Viagem ao Exterior I).   Essas diferenças de câmbio acabavam por reduzir ainda mais nosso poder aquisitivo durante a viagem (que era baixo).   Lembrando que eu não tinha cartão de crédito internacional naquela época. Além do problema econômico, os voos transatlânticos de mais de 10hs tornam as viagens ...

Aventuras Russas MISSÃO SECRETA - a chegada

O avião tocou o solo em Guarulhos por volta das 6:00hs de sábado.  O alívio era grande, mesmo após uma noite mal dormida.  A próxima dificuldade a ser enfrentada seria a alfândega.  Entretanto, não foi necessário.  Ao sair do avião havia um oficial, que trabalhava conosco, nos esperando.  Ele nos disse que estava com uma viatura do CTA que iria transportar as plataformas e seus acessórios para São José dos Campos. De fato, nem vimos o desembarque do material.  Apenas pegamos nossa bagagem pessoal e passamos por todo processo de chegada sem nenhum problema.  Não tenho a mínima idéia do que teria sido combinado mas a viatura encostou ao lado do avião e pegou a carga.  Além da viatura de transporte, o diretor do IAE mandou seu próprio carro funcional para nos transportar para casa.  Uma honraria a essas alturas.   Tudo parecia um final feliz quando pegamos a rodovia Airton Senna (que na época se chamava Trabalhadores) até que próximo à entr...

Aventuras Russas MISSÃO SECRETA - a volta

Depois de passar por 2 barreiras de controle dentro do aeroporto de Moscou (eram 5 ao todo), agora era a vez do check-in.  A questão ali era quanto eu teria que pagar pelo excesso de bagagem.  Que mágica eu iria fazer para que os 10mil USD fossem suficientes para pagar o excesso de bagagem embarcada ?  Tínhamos também algum dinheiro pessoal.   Eu havia ficado sabendo uma informação importantíssima.  O custo da bagagem extra de 40USD / Kg valia de Frankfurt para São Paulo.  No trajeto Moscou / Frankfurt era 20USD / Kg.  Ou seja, o custo total do excesso de bagagem deveria ter um valor proporcional à distância percorrida para cada tarifa.  Isso faria uma boa diferença para menos. Fui atendido no guichê por uma russa que falava um inglês razoável mas, pelo jeito, não sabia fazer conta.  Descontado o peso que a primeira classe dava direito ainda sobrava quase 400 Kg.  Se fosse pagar a tarifa cheia de 40USD / Kg nós não teríamos como pag...

Aventuras Russas MISSÃO SECRETA - a estada

  Chegamos em Moscou na terça-feira à noite e, dessa vez, fomos para um hotel.  Foi muito providencial por vários motivos mas, naquele momento, estávamos destruídos e só queríamos descansar.  No dia seguinte, pela manhã, fomos direto para a Almaz ver a “encomenda” que deveríamos transportar para o Brasil. Levei um susto enorme ao ver o que deveríamos transportar!!  Os equipamentos estavam embalados em enormes caixas de madeira entremeados de placas de papelão que juntos pesavam quase quinhentos quilos.  Na mesma hora me veio à mente “não tenho como pagar o embarque desse trambolho”.  Mostrei logo minha insatisfação, ao criticar aquelas embalagens.  Porque proteger os equipamentos com papelão e madeira ?  Não conheciam plástico e isopor ?  A desculpa é que eram embalagens próprias para equipamento militar.  Fiquei pensado se havia algum motivo secreto pois eu continuava achando um tremendo trambolho. Voltamos para o hotel após o almoço, e...