Postagens

SANTAS MÃOS

  A situação absurda descrita no final da última postagem, normalmente, me levaria a uma reação mais contundente.   Mas não foi o caso e vou explicar o porquê. Após mais uma tentativa de desenvolver um sistema de navegação inercial no IAE (vide postagem Gerenciamento Incoerente), em 2005 começaram tratativas de financiamento exclusivo para esse fim.   Eu participei pessoalmente em reuniões na Marinha, no Exército e no BNDES na tentativa de chegar a um entendimento de como obter o financiamento e qual o escopo desse projeto. Finalmente, em 2006, através da FINEP iniciou-se o Projeto SIA – Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial.   Esse projeto envolvia, além de um consórcio de empresas privadas, 4 institutos: IEAv, ITA, IAE e INPE.   Seu escopo era bastante ambicioso e envolvia a formação de recursos humanos (ITA), desenvolvimento de novas tecnologias (IEAv), projeto e infraestrutura necessária para a produção de plataformas inerciais (IAE) e infraestr...

JEZABEL – a denúncia

Quando eu soube da tal carta para o MCTI, muita coisa já tinha acontecido.  O diretor do instituto chamou Jezabel e indagou-a sobe seu comportamento.  Afinal, se tinha uma denúncia a ser feita, porque não fez a ele? (ou seja, passou por cima da sua autoridade) E que denúncia ela queria fazer?  Ela, provavelmente instruída por advogado, disse que não tinha nada a declarar e que já havia encaminhado sua denúncia ao Ministério Público Federal.  O diretor, então, tomando uma atitude de verdadeiro chefe, a transferiu imediatamente da instituição, lhe dizendo que não pusesse mais os pés lá. Quando eu soube do ocorrido, procurei imediatamente o MPF para saber da tal denúncia.  Tive acesso completo aos documentos.  Ela havia feito 5 denúncias de corrupção contra mim e assinado em baixo.  O MPF encaminhou a denúncia ao meu instituto solicitando uma investigação formal.  Foi definido um investigador para o caso que eu chamarei de Caspácio.  Algumas...

JEZABEL – a tese

Alguns meses após meu infarte, fui procurado por uma engenheira, recém-concursada, que trabalhava em outro departamento.   Vou chamá-la de Jezabel, por motivos auto explicativos.   Jezabel disse que queria fazer mestrado em uma área de responsabilidade da minha equipe e gostaria que eu a orientasse.   Perguntei então o que ela sabia do assunto e em poucos instantes percebi que ela não tinha ideia do que estava falando.   Eu a aconselhei a estudar um pouco mais sobre o assunto que deveria seguir no mestrado e nos despedimos cordialmente. Alguns meses depois Jezabel me procurou novamente.   Ela queria se transferir para minha equipe.   Obviamente, achei estranho e já conhecia tal procedimento.   O indivíduo faz concurso para uma determinada vaga e depois pede transferência deixando a vaga novamente em aberto (vide post Hobby Remunerado).   Além do mais, ninguém abre mão de funcionário competente. Como eu estava me recuperando do infarte, não est...

BARATO QUE SAI CARO

Após o acidente com o VLS em 2003, buscou-se uma consultoria com especialistas russos para avaliação do projeto.   A empresa encarregada dessa consultoria situava-se em uma cidade no interior da Russia chamada MIASS. Para chegar em Miass não era fácil.   O aeroporto mais próximo ficava em Ecaterimburgo, 4 horas de viagem de carro até Miass.   A própria cidade de Ecaterimburgo tinha apenas 2 voos semanais para Frankfurt (Alemanha).   O restante eram voos domésticos. Assim, o caminho mais rápido e direto era um voo São Paulo – Frankfurt e, em seguida, Frankfurt – Ecaterimburgo.   Depois disso, 4 horas de viagem de carro até Miass (um sacrifício e tanto). Uma equipe de engenheiros do IAE estava em Miass quando minha presença foi solicitada.   Até aí tudo bem.   Quando fui pegar as passagens descobri uma novidade.   A pessoa que comprava as passagens descobriu que a viagem até Frankfurt pela Lufthansa ficava mais cara do que fazer conexão em Lis...

PAGANDO A CONTA DOS OUTROS

Durante o período que tentei produzir uma plataforma inercial através do projeto SISNAV (vide post Gerenciamento Incoerente) aconteceu um episódio que vale a pena mencionar. Como não havia rubrica (dinheiro colorido) para importação, comprei algumas placas de processamento através de uma empresa brasileira que trabalhava com esse tipo de equipamento.   O custo disso seria maior do que uma importação direta através do CTA, pois o mesmo é isento de alguns impostos.   Entretanto, mesmo que eu tivesse recursos para isso, preferia fazer a aquisição através de uma empresa, pois havia maior agilidade (sem a burocracia esquizofrênica habitual) e com uma menor possibilidade de erros. Pois bem, após o período normal para o tempo de importação, procurei a empresa contratada para saber o porquê da demora.   Fiquei então sabendo que a Receita Federal havia entrado em greve.   Cabia a ela a triagem e inspeção de todo material importado e, embora a compra já estivesse no Brasil...

GERENCIAMENTO INCOERENTE

  Antes mesmo do término do contrato com a empresa russa que produzia as plataformas de navegação do VLS, já havia uma preocupação do CTA em buscar uma alternativa nacional.   Primeiramente, houve uma tentativa de melhorar o desempenho de um equipamento estrangeiro que era normalmente importada pela Aeronáutica.   Foi contratada uma empresa privada para fazer isso.   Ele levou uma boa bolada de dinheiro em troca de 3 conjuntos de documentação (que ficaram na minha sala após minha aposentadoria). Houve também uma tentativa de desenvolvimento dentro do próprio IAE.   O CTA conseguiu recursos do próprio Comando e eu fui procurado para fazer esse desenvolvimento.   Chamei o projeto de SISNAV - SIStema de NAVegação.   Um nome bastante simplório, mas era bem objetivo.   Além do mais eu havia proposto outros nomes que não foram bem aceitos.   Era minha primeira experiência com gerente de um projeto e estava bastante animado.   O projeto começ...

NERO

  Até o meio da década de 90, enquanto ainda vigorava as determinações do Eng. Boscov, a documentação técnica do projeto VLS era algo levado muito a sério.   Havia uma enorme sala de paredes de vidro, carinhosamente chamada de aquário, onde se encontravam enormes estantes lotadas de relatórios.   Além disso, dentro do aquário, ficava uma secretária específica para cuidar da documentação do projeto – da sua formatação, controle e distribuição. Com o passar do tempo, a documentação já não tinha mais tanta prioridade e o próprio aquário passou a sediar outro projeto.   Enquanto aquela documentação já produzida e cadastrada foi transferida para uma sala, dentro do mesmo prédio.   Para mim isso era indiferente pois eu tinha, dentro da minha subdivisão, cópia de todos os relatórios emitidos pela mesma, desde o início do instituto. Em um certo dia de 2005, um dos meus subordinados me procurou com um relatório nas mãos mostrando que faltava uma página nele.   O...