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EXPLOSÃO

  Em fevereiro de 2009, logo após o almoço, estávamos nos preparando para uma reunião com a equipe em nossa sala de reuniões.   A sala, como parte do prédio que havia sido recém “inaugurado” antecipadamente (vide postagem BESOURO) era novinha e bem adaptada.   Nos sentamos em torno da mesa para começarmos os trabalhos quando fomos interrompidos por um barulho.   Um estampido seco e muito forte, semelhante ao bater de uma porta.   Não deu tempo de perguntar o que tinha sido aquilo, quando a onda de choque atingiu o prédio.   Sendo o prédio térreo e sem laje (possuía forro termoacústico) tremeu por inteiro.   Chegou mesmo a cair poeira, advinda do forro, sobre nós.   Me levantei correndo e fui até a janela de uma sala que ficava em frente à sala de reuniões e olhei para a direção de onde eu julgava ter vindo o som.   Vi uma coluna de nuvem cinza chumbo que subia já a uns 50 metros de altura.   Claramente, havia acontecido uma explosão . ...

FAÇA O QUE EU DIGO

Muito embora o projeto VLS estivesse muito bem estruturado em termos de documentação, de vez em quando surgiam críticas pela falta de documentação do mesmo (vide postagem DENÚNCIA).   Num certo momento do início da década de 90, mais uma vez chegou ao comando uma reclamação de que o VLS não estava sendo documentado.   Na verdade, havia uma dificuldade de se conseguir que os engenheiros que estavam se dedicando, com afinco, ao desenvolvimento de uma tecnologia tão especial parassem o que estavam fazendo para escrever relatórios.   Precisávamos sim de gente dedicada somente a esse mister, mas não tínhamos. Foi quando chamaram um “especialista” na área chamado Pazalix (nome fictício), advindo de um setor administrativo do CTA.   Pazalix trazia consigo a reputação de ser um entendido em gerenciamento de projetos.   Na verdade, posteriormente, ele publicou um livro na área.   Fiquei conhecendo-o já na primeira reunião.   Ele foi bastante assertivo ao no...

AMA SECA

Durante a ausência de Carabino, apareceu outro candidato ao cargo de operador da bobinadeira.   Vou chama-lo de Cretinílson.   Ele era funcionário de outro instituto e trabalhava em um setor de máquinas de usinagem automática.   Cretinílson me procurou dizendo que gostaria de se transferir, de onde já trabalhava fazia alguns anos, pois não era levado a sério e não via perspectivas em seu futuro lá.   Como eu conhecia sua chefe liguei para ela para saber quem era Cretinílson e qual seria o verdadeiro motivo de seu desejo de se transferir de lá.   Ela me disse, basicamente, o mesmo que ele me havia contado: que estava sem muitas perspectivas de trabalho ali e que era um bom sujeito. Cretinílson realmente parecia um bom sujeito e, além do fato de que tinha uma expertise adequada à necessidade do projeto, ele morava dentro do campus do CTA.   Isso era uma novidade muito positiva pois, em tese, permitiria uma boa dedicação ao trabalho.   Assim o aceitei n...

AMPLO DIREITO

Depois que a bobinadeira foi instalada era preciso ter alguém especializado para operá-la.   Foi nessa época que apareceu um técnico, de outra divisão, que vou chamar de Carabino.   Ele me procurou dizendo que gostaria de trabalhar na minha subdivisão pois não estava satisfeito em seu local de trabalho.   Acrescentou também que todos ficavam fumando maconha lá. Embora eu estive escolado com esse tipo de transferência – ninguém transfere bons funcionários – ele tinha algo do meu interesse: sabia operar máquinas CNC.   Como era exatamente esse tipo de habilidade necessária para operar a bobinadeira, eu o recebi em meu grupo.   Claro que, primeiramente, o alertei que esperava dele uma conduta de ética elevada e comportamento condizente. Passadas algumas semanas, Carabino entra na minha sala, extremamente nervoso, e me conta que sua esposa havia sido internada em pronto socorro psiquiátrico e que a assistente social do instituto não o havia apoiado nisso.  ...

DANDO NÓ EM PINGO D’ÁGUA

  Após a construção do LINCS as atividades do Projeto SIA seguiram a todo vapor.   Um dos objetivos do projeto era dominar a tecnologia de produção de sensores inerciais e uma das empresas que participavam do projeto já tinha desenvolvido um sensor a fibra ótica.   Para permitir uma produção desse tipo de sensor com a qualidade e precisão necessária era fundamental ter uma bobinadeira de fibra ótica. Identificamos uma empresa americana que produzia esse tipo de equipamento.   Entramos em contato e fechamos a compra de uma, ao custo de mais de 1 milhão de dólares.   O recurso financeiro foi transferido para um banco americano e ficamos aguardando o restante do processo legal / burocrático.   Para nossa surpresa o departamento de comércio americano negou a licença de exportação e o dinheiro nos foi devolvido.   Um oficial general da FAB foi aos Estados Unidos saber o porquê da negativa e lhe foi mostrado uma decisão do congresso americano de não apoi...

FATOR 5

  Conforme mencionado na postagem “Catedral de Barcelona”, a empresa Pikaretta havia entregue o prédio não concluído.   Uma das coisas que faltava era a instalação elétrica.   O projeto do prédio (feito por outra empresa) incluía toda a instalação elétrica.   Então, não seria nenhum problema contratar uma empresa para a execução daquela instalação. Antes de passar para a busca por orçamentos, eu procurei a própria empresa que fez o projeto e perguntei quanto eles acham que custaria a implementação daquela rede elétrica.   Vale dizer que, por lei, a empresa projetista não pode construir o que ela mesma projetou.   Assim, seria uma opinião isenta de interesse.   Eles me disseram que estimavam em 60 mil reais o custo da instalação incluindo os materiais (que estavam detalhadamente descritos no projeto). Entrei em contato com uma empresa que me havia sido indicada.   Falei com  o engenheiro responsável e lhe disse que estaria enviando (por e-...

PRODUZINDO ÁGUA

  A conclusão do LINCS foi bastante festejada por alguns e nem tanto por outros.   Haviam críticas das mais diversas direções, com nuances que chegavam ao ridículo.   A própria obra incomodava os vizinhos, que não poupavam reclamações: desde a presença dos operários, os detritos da obra, o barulho e até a água da chuva. Após uma chuva forte, houve uma inundação entre o prédio do LINCS e o prédio ao lado (cuja parede ficava uns 10 metros de distância.   Acumulou uns 10 centímetros de água, quase invadindo os prédios. Evidentemente, os vizinhos acusaram a obra do LINCS de ser responsável por aquela situação.   Essa narrativa se desfez quando descobriram que a causa havia sido uma obra externa de escavação (que ficava uns 50 metros do LINCS).   Um trator utilizado naquela obra havia esmagado os dutos pluviais que, sem permitir mais a passagem de água, havia causado aquela situação.   A tal escavação não tinha nada a ver com a obra do LINCS.   Ou ...