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TRINDADE PAGÃ

  Numa certa noite, no final da década de 90, eu estava em frente à Universidade Braz Cubas (onde fui professor por 8 anos) aguardando o ônibus para voltar para casa.   Também havia ali, naquele momento, dezenas de alunos que tinham o mesmo objetivo – voltar para São José dos Campos.   Tive, então, a oportunidade de ouvir a conversa de um pequeno grupo.   Estavam discutindo sobre uma notícia recente de que Bill Gates havia comprado o direito autoral de diversas obras de arte famosas.   Ouvi quando um deles perguntou: “ele já é o homem mais rico do mundo (naquela época) para quê ele quer mais dinheiro ? Naquele instante, num impulso, não pude me conter e me intrometi na conversa.   Perguntei eu: vocês não sabem ?   Todos menearam a cabeça.   Pude, então, explicar: ele não quer mais dinheiro, ele quer mais poder!   Os alunos demoraram um pouco para entender o que eu havia dito. Passei então a dar alguns exemplos de como a ambição das pess...

INJUSTO

  Logo após minha passagem de chefia da subdivisão de controle, meu substituto me procurou sobre a possibilidade de conseguir uma bolsa, pelo projeto SIA, para uma mestranda do ITA que ele havia conhecido.   Segundo ele, ela seria de grande ajuda dentro dos planos que tinha para a subdivisão. De fato, haviam bolsas de mestrado disponíveis.   Eu não conhecia a moça, que vou chamá-la de Messalina.   Não a entrevistei, mas olhei seu currículo e me pareceu muito bom.   Em especial, seu orientador no ITA era um profissional muito respeitado.   Assim, Messalina começou a trabalhar conosco. Na mesma semana de sua chegada, recebi um e-mail, de um funcionário do IAE que estava inconformado com o fato dela estar trabalhando na organização e fazia sérias advertências sobre sua presença lá.   O texto não era muito claro nas acusações mas deixava transparecer o seu caráter passional.   Chamei Messalina, lhe expus o que estava acontecendo e perguntei se se ...

OPORTUNIDADE PERDIDA

  Em 1988, eu já estava na chefia da subdivisão de controle e estávamos nos preparando para lançar o quarto protótipo do foguete SONDA IV.   Os 3 primeiros lançamentos haviam tido razoável sucesso e isso estava chamando a atenção da imprensa internacional. Foi nesse ambiente que fui chamado para uma reunião na diretoria do CTA (cuja estrutura era bem diferente da atual).   Essa reunião foi presidida por um civil que vou chamar de Tolentino.   Não o conhecia embora ele ocupasse um cargo de alta gestão dentro do centro.   A reunião era com a empresa holandesa Fokker Space.   Haviam 2 representantes da Fokker na sala.   Eu não havia recebido nenhuma informação prévia.   Então, estava numa expectativa para saber do quê se tratava.   Foi o representante da Fokker Space que tomou a palavra e foi bastante direto no que queria.   Disse ele que a Fokker havia feito uma análise de mercado e que, devido à construção da Estação Espacial Intern...

PASSANDO O BASTÃO

  Quando decidi pedir aposentadoria, sabia que precisaria passar o meu cargo de chefia para alguém.   Se assim eu não fizesse, meu sucessor seria designado ou pela chefia da divisão ou por algum órgão da diretoria do IAE.   Eu não considerava essa hipótese por achar injusta com a equipe e como um ato de irresponsabilidade de minha parte. Assim, com antecedência de meses, preparei meu substituto.   Ele trabalhava na equipe fazia muitos anos e havia sido meu orientado de mestrado e, parcialmente, do doutorado.   Tinha um temperamento bastante diferente do meu e eu via nisso uma qualidade para assumir o cargo.      Seria salutar para a equipe.   Após quase 27 anos como chefe da subdivisão de controle, estava na hora de alguém com uma nova visão e perspectivas.   No dia 07 de março de 2014 reuni toda a equipe, incluindo os bolsistas, em nossa sala de reuniões. Assim, na presença do chefe da divisão passei a chefia da subdivisão. ...

TEMPO VERBAL

  Uma vez que meu processo havia saído do instituto e ido para o departamento de pessoal civil da aeronáutica, o próximo passo era homologar a contagem de tempo de serviço.   Acontece que eu já havia feito meu trabalho de casa e conseguido um acórdão do TCU sobre a contagem do tempo em que passei como militar durante a graduação no Instituto Militar de Engenharia.   Entretanto, embora o documento apresentado fosse incontestável, o processo não andava. Procurei, então, saber o nome da pessoa que estava cuidando do processo e descobri não apenas o seu nome Selêucia (nome fictício) como também seu telefone.   Passei a ligar toda semana em dias e horários diferentes.   Selêucia não atendia ou alguém dizia que ela não estava.   Até que finalmente alguém abriu o jogo.   “Ela tem saído mais cedo pois está com problema com a filha” disse a pessoa que atendeu o telefone.   Agradeci e desliguei indignado. Como assim tem saído mais cedo ?   O tempo ...

ENGAVETAMENTO

  Essa palavra, normalmente, descreve o acidente sequencial envolvendo múltiplos carros.   Mas não é disso que se trata essa postagem.   Refere a um fenômeno bastante conhecido quando alguém, em vez de dar sequência a alguma atividade da qual é responsável, coloca o documento em sua gaveta e o “esquece” lá.   Esse tipo de atitude pode ter alguns motivos diferentes.   Entretanto, o mais comum e danoso é quando um mal funcionário simplesmente deixa de fazer sua tarefa e a ignora engavetando-a.   O pior é quando fica por isso mesmo. Quando decidi solicitar minha aposentadoria, eu sabia que iria enfrentar algum tipo de engavetamento.   O que eu não sabia é o quanto ele é explícito e tolerado pela organização.   Passada algumas semanas que eu havia encaminhado formalmente meu pedido de aposentadoria, eu não havia recebido nenhum retorno sobre o andamento do processo.   Então me dirigi diretamente ao chefe do setor de pessoal.   Era um eng...

DIFERENTE

  Conforme mencionado na postagem “Pré-Defesa”, para conclusão do meu doutoramento, havia uma exigência de publicação de pelo menos 2 artigos internacionais.   Eu já havia publicado um em 1986 mas não fui apresentá-lo, pois era em Lund na Suécia.   Eu não tinha condições financeiras para bancar a viagem e por não ser ainda doutor não contava com o suporte da agências de fomento. Foi uma grata surpresa quando em 1987 o IAE financiou minha ida a um Colóquio no México para apresentar meu artigo, que havia sido aprovado.   A viagem seria de 3 dias (duração do Colóquio) e lá fui eu para minha primeira apresentação no exterior.   Sendo apenas 3 dias e eu ainda tinha a ideia estúpida de viajar de terno, não haveria necessidade de levar mais que uma mala de mão.   A viajem de ida foi sem problemas.   Já na viagem de volta alguns eventos me marcaram.   O Colóquio terminou em uma quarta-feira e devido ao retorno no meio da semana, não havia voo direto d...